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Civilização e Barbárie – Eduardo Galeano

De volta a São Paulo depois de uma viagem cheia de conversas, pessoas, lugares, encontros, coloco-me novamente a refletir sobre o poder e o papel da narrativa na humanização de um mundo para além da coisificação, do ter e da propriedade. Durante a viagem encontrei coisas não esperadas, mas que vieram muito bem ao encontro do que tenho planejado.

 

Estou lendo 3 livros no momento. “Caim” do Saramago, “Novos possíveis no encontro da Psicologia com a Educação” de diversos autores (é uma coletânea de artigos publicados pela Casa do Psicólogo. Livro emprestado por uma figura muito bacana e especial.) e “Bocas do Tempo” do Eduardo Galeano, livro que comprei numa reles banca de jornal.

Animal esse último. Sempre gostei do Galeano, mas nunca tinha tido oportunidade de ler nada além do “livro dos abraços” e do “memórias do fogo”.

Olha que maneiro esse conto (o livro tem uma porção de contos, um por página):

 

 

“Enquanto os deuses dormem ou fingem dormir as pessoas caminham. É dia de feira neste povoado perdido nos arredores de Totonicapan e o vaivém é grande.


De outras aldeias chegam mulheres carregando pacotes pelas veredas verdes. Elas se encontram na feira, hoje, aqui, acolá, neste povoado e em outro, como dentes que vão saltando à boca, e conversando vão sabendo das novidades, lentamente, enquanto vendem, pouco a pouco, uma coisinha ou outra.
Uma velha senhora estende seu lenço no chão e alí deita sua mercadoria: defumador feito de cacto, tinturas de anil e colchonilha, algumas pimentas bem picantes, ervas coloridas, um jarro de mel silvestre, uma boneca de pano e um boneco pintado, faixas, cordões, fitas, colares de sementes, pentes de osso….Um turista recém chegado à Guatemala quer comprar tudo.

Como ela não entende, ele explica com as mãos: tudo. Ela nega com a cabeça. Ele insiste: você me diz quanto quer, eu digo quanto pago. E repete: compro tudo. Fala cada vez mais alto. Grita. Ela, estátua sentada, se cala.

O turista, cansado, vai embora. Pensa: este país não vai chegar a lugar nenhum. Ela vê como ele se afasta. Pensa: minhas coisas não querem ir embora com você.”

Forte, né? Sincero e direto como a vida tem de ser.

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Narradores do Açu

“Se ocê panhá um passarim que nasceu solto e botá na gaiola ele morre.”

Espaço marcado pelas mãos dos trabalhadores, que com muito suor dedicaram suas vidas a cuidar do campo é retirado sem dor. Produtores rurais do 5º Distrito de São João da Barra não tiveram tempo de contar suas histórias, só tempo para retirar seus pertences e deixar suas lembranças para trás. Suas terras desapropriadas serão utilizadas para a construção de estaleiros do Porto do Açu, com investimentos avaliados em mais de um bilhão de dólares, valor que não paga uma história de vida. Ana Paula Medeiros
 
Este webdoc se destina ao registro do que têm a dizer os atingidos pelas desapropriações no 5º Distrito de São Jõa da Barra.RJ.
 
Foi produzido por alunos do UNIFLU/FAFIC com a supervisão do professor da disciplina Narrativas e Linguagens Jornalísticas, Vitor Menezes.
 
As imagens contidas no webdoc estão disponíveis no YouTube e/ou foram cedidas.
 
Campos dos Goytacazes, julho de 2011.
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Dia do Saci!

O dia do Saci está chegando, minha gente! É no próximo 31 de Outubro! Para comemorar, antecipadamente, publico aqui uma história muito bacana do meu amigo Ricardo Azevedo!
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Gente como a gente, habitante da cidade grande, acostumado com luz elétrica, entregador de pizza, televisão, poluição, telefone celular e computador não entende nada de Saci e só vai ver o Saci no dia de São Nunca. Acontece que o Saci é filho do mistério, filho do vento que assobia, filho das sombras que formam figuras no escuro, filho do medo de assombração.

O Saci é uma dessas coisas que ninguém explica. Por exemplo, é muito fácil explicar uma casa. Ela tem tijolos, paredes, janelas e serve para morar. É muito fácil também explicar um cachorro. Pertence à espécie canina, late, abana o rabo, às vezes morde, faz xixi no poste, é amigo das pulgas(bem alguns nem tanto) e serve para tomar conta de casas ou apartamentos. Agora tente explicar o gosto. Por que tem gente que só gosta de Rock Pauleira e tem gente que só ouve musica Clássica ou então Pagode?

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Experimente explicar a beleza ou o sentimento, ou as coincidências que acontecem, ou sonhos, ou um pressentimento. Você já teve um pressentimento? Já sentiu que uma coisa ia acontecer e no fim ela aconteceu mesmo? Pois bem, agora tente explicar.

As vezes a gente está calmamente em casa com algo na mão. O telefone toca, a gente atende, bate um papo e quando desliga cadê a coisa que a gente estava segurando? Sumiu! A gente não consegue acreditar. A coisa estava aqui agorinha mesmo! A gente procura em todo canto, xinga, reclama, arranca os cabelos, vira a casa de cabeça para baixo e nada. De repente olha para o lado…Não é possível! A coisa está ali bem na cara da gente. Numa casa de Caboclo, quando isso acontece, as pessoas dizem que foi obra do Saci. Dizem que o saci é que tem mania de esconder as coisas e depois fica escondido dando risada enquanto a gente faz papel de bobo.

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É, Saci é um ser misterioso, habitante do mato. Sua aparência é a de um negrinho, pequeno e risonho, de uma perna só, com um capuz vermelho enterrado na cabeça, sem pelos no corpo nem órgãos para fazer necessidades. Costuma ter três dedos nas mãos, tem as mãos furadas e quando quer solta um assobio misterioso e fica invisível. Além disso vive com o joelho machucado e sabe comandar os mosquitos e pernilongos que vivem atazanando a vida da gente.

Ah, tem outra coisa, o malandrinho aprecia fumar cachimbo e consegue soltar fumaça pelos olhos. Quando está de bom humor pode ajudar as pessoas a encontrarem objetos perdidos. Em compensação, adora pregar as piores peças nos outros, faz os viajantes errarem seus caminhos, esconde dinheiro, esconde coisas de estimação, faz vasos, pratos e copos caírem sem motivo e quebrarem, gostar de aprontar com os bichos e é especialista em fazer comida gostosa dar dor de barriga.

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De vez em quando, o saci sai girando em volta de si mesmo feito um peão maluco e gira tanto, tanto, tanto, que até levanta as folhas secas e a poeira do chão. Alias, muitos afirmam que ele é a única explicação possível para a existência dos roda moinhos.

O Saci tem vários nomes dependendo da região onde aparece. Pode ser Saci-Sererê, Saci-Pererê, Saci-Sassura, Saci-Sarerê, Saci-Siriri, Saci-Tapererê ou Saci-Triti. As vezes é chamado de Matitaperê, ou Matita-Pereira, ou Sem-Fim, que na verdade são nomes de pássaros. É que em certos lugares dizem que o danado, quando perseguido, dá risada, vira passarinho e desaparece deixando todo mundo de queixo caído.

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Mas, o Saci pode ser perigoso. As vezes, chama as criancinhas, canta, dança, inventa lindas histórias e acaba fazendo as inocentes se perderem na floresta. Pode também fazer um caçador entrar no mato e nunca mais voltar para casa.

Para dominar o Saci só tem um jeito. Primeiro, pegar uma peneira. Segundo, esperar um rodamoinho dos fortes. Terceiro, atirar a peneira bem em cima do pé-de-vento. Quarto, agarrar o Saci que vai estar preso na peneira. E quinto, prender o espertinho dentro de uma garrafa. Sem aquele goro vermelho o Saci fica apavorado, geme, choraminga, fala palavrão, implora e acaba fazendo tudo que a gente quer.

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É bom morar na cidade, mas, bem que seria legal, um dia, assim derrepente, encontrar um Saci de verdade fazendo bagunça, fumando cachimbo, soltando fumaça dos olhos, virando passarinho e sumindo no espaço. É ou não é?

AZEVEDO, Ricardo. Armazém do folclore. Ed.Ática, São Paulo, 2003.

www.sosaci.org

Sociedade dos observadores de Saci.

www.ancsaci.com.br

Associação Nacional dos Criadores de Saci.

www.criadoresdesaci.blig.ig.com.br

Criadores de Saci

http://eosaciurbano.org/aparicoes/

Aparições do Saci

Brincadeira “Cadê o Saci?” – Por Daniel D’Andrea

Brincadeira “Geografia do Saci” – mapa

Brincadeira “Geografia do Saci” – questões

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“Fala-nos do Amor” – by Khalil Gibran

Certa vez, Kahailil Gibran levantou a cabeça e olhou para as pessoas, e o silêncio caiu sobre eles. E com uma voz podero-sa ele disse:


Quando o amor vos chamar, segue-o,

Apesar do seu caminho ser duro e íngreme.

E quando suas asas vos envolverem, abraçai-o, apesar da espada escondida entre suas penas poder ferir-vos.

E quando ele falar convosco, acreditai nele,

Apesar de sua voz poder esfacelar vossos sonhos como o vento norte arruína o jardim.

Pois mesmo quando o amor vos coroa, ele vos crucifica. Mesmo sendo para o vosso crescimento, ele também vos poda.

Mesmo quando ele chega à vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que tremem ao sol,

Ele também desce até vossas raízes e abala a vossa ligação com a terra.

Como feixes de milho, ele vos une a si próprio.

Ele vos ceifa para desnudar-vos.

Ele retira vossas espigas.

Ele vos mói até ficardes brancos.

Ele vos amassa até ficardes moldáveis;

E depois ele vos designa ao seu fogo sagrado, para que vos torneis o pão sagrado do sagrado festim de Deus.

Todas essas coisas o amor fará convosco até que conheçais os segredos dos vossos corações e, através deste conhecimento, vos torneis fragmentos do coração da Vida.

Mas se, por medo, buscardes apenas a paz do amor e o prazer do amor,

É melhor que cubrais a vossa nudez e que passeis da eira do amor

Para o mundo sem estações, onde rireis, mas não todo o vosso riso, e chorareis, mas não todas as vossas lá-grimas.

O amor não dá nada além de si mesmo e não toma nada além de si mesmo.

O amor não possui nem é possuído;

Pois o amor é suficiente ao amor.

Quando vós amais, não deveis dizer: “Deus está no meu coração”, mas sim, “Estou no coração de Deus”.

E não pensais que podeis dirigir o curso do amor, pois o amor, se acuar que mereceis, dirige o vosso curso.

O amor não tem outro desejo além de satisfazer a si mesmo.

Mas se vós amais e precisais ter desejos, que sejam estes os vossos desejos:

Derreter e ser como um riacho que corre e canta sua melodia para a noite.

Conhecer a dor do carinho demasiado.

Ser ferido pela vossa própria compreensão do amor;

E Sangrar por vossa própria vontade e com alegria.

Acordar ao amanhecer com o coração leve e agradecer por mais um dia de amor;

Descansar ao meio-dia e meditar sobre o êxtase do amor;

Voltar para a casa com gratidão;

E então dormir com uma prece ao bem-amado em vosso coração e uma canção de louvor em vossos lábios.

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Ilha de Edição Livre II – atualizações

Montei uma nova máquina com as seguintes configurações:

– 1 Processador Intell Ivy Bridge i7-3770k (8mb cache, LGA1155, 3.5Ghz) http://ark.intel.com/pt-br/products/65523

– 1 Nvidia GTX570 MSI Twin Frozen III http://br.msi.com/product/vga/N570GTX_Twin_Frozr_III_Power_EditionOC.html

– 2 Monitores Samsung:

1 SyncMaster TA550 (Fullhd, 2 inputs HDMI + 1 VGA)

http://www.samsung.com/ie/consumer/pc-peripherals/monitors/digital-tv-monitor/LT27A550EW/EN

1 FullHD TV T22C310 (1 HDMI)

http://www.samsung.com/br/consumer/it/monitor/tv-monitor/LT22C310LBMZD

Produtos a observar:

i7 5960x (20mb, 3.5Ghz, )

http://ark.intel.com/products/82930/Intel-Core-i7-5960X-Processor-Extreme-Edition-20M-Cache-up-to-3_50-GHz

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Fazendo uma composteira

O ano de 2015 começou e aproveitei os dias de inicio de ano para tocar adiante alguns projetos que estavam parados. Um destes projetos era o de uma composteira grande para produção de adubo. Depois de ensaiar com composteiras menores e improvisadas, resolvi arregaçar as mangas e fazer uma composteira mais planejada numa casa de campo. Tive uma ajudante de ouro e acho que no fim das contas saiu tudo como eu esperava. Deixo então aqui alguns registros, ou melhor, passos do que foi feito.

Antes duas notas importantes:

A – Recentemente meu irmão me apresentou o livro “Manual do arquiteto descalço”. Vale muito a pela ler, mesmo que nem de longe você seja arquiteto. A proposta do livro é mais “do it your self” e lembra bastante o projeto “Open Source Ecology“. Certamente me inspirou ainda mais na construção dessa composteira.

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B – Existem muitos tipos de composteiras que são uma mistura de compostagem com minhocário. A proposta aqui é focada mais na compostagem de resíduos de jardim, isto é, em restos de folhas, galhos e cascas de árvores. Se você quer uma composteira mais diversificada, vale a pena procurar outros modelos, pesquisar antes de decidir.

Há composteiras feitas em recipientes próprios, com andares diferentes para cada estágio de decomposição:

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Já outras podem ser feitas de um único recipiente, como é o caso da que vamos abordar aqui. Alguns vem com dispositivos automatizados de movimento interno ou externo. Este exemplo abaixo é de uma composteira giratória:

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Mas também dá para fazer com materiais bem simples e até improvisados como essa mini-composteira feita de garrafas de refrigerante reutilizadas ou essa outra feita com cabos de vassoura e telas de arame.

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Ou seja, infraestrutura ou orçamento alto não são desculpas para deixar de fazer uma composteira.

E como ficou a composteira por aqui?

Passo-a-passo…

 

1 – Compramos uma caixa d’água de polietileno com tampa, com capacidade para 100 litros. Esse tipo de caixa é fácil de encontrar em lojas de materiais para construção. Como já mencionei, é possível usar outros tipos de material como baldes grandes com tampa, caixas plásticas de organização de materiais (dessas que se encontra em papelarias ou lojas de escritório) ou mesmo fazer uma estrutura com tijolos. Um amigo mostrou-me até uma vertical feita com suporte de porta-treco de tela sintética.

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2 – Junto com a caixa, adquirimos também uma conexão do tipo adaptador com borracha de vedação, destas de encanamento, de médio porte e uma torneira pequena com rosca para a valvula. A torneira serve para retirar o chorume quando este se acumular no fundo da caixa.

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3 – Marcamos com uma caneta a circunferência da conexão-adaptador e fiz o furo com um ferro quente pois estava sem furadeira no instante de fazê-lo. Depois encaixei a conexão e apertei bem com o grifo.

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4 – Fixada a conexão-adaptador, testei se não estava vazando pelos lados colocando um pouco de água dentro da caixa. Tudo certo! Depois inseri a torneirinha e fiz o teste novamente.

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5 – Aparentemente a composteira estava pronta até aqui. Mostrei o projeto para um amigo e ele me lembrou de algo essencial: bacterias aeróbicas precisam de ar. São elas que vão fazer boa parte do trabalho de transformar matéria orgânica em decomposição em insumos férteis para serem usados como adubo. O que fazer? Furos na caixa! Achei, enfim, a furadeira e fiz furos ao redor para que o ar pudesse passar mesmo com a tampa fechada.

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6 – Terminados os furos, construí uma base de tijolos sobrepostos para assentar a composteira em cima e passei então a fase mais aguardada: o preenchimento e montagem da matéria.

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7 – Comecei com uma boa camada de folhas. Coloquei mais ou menos 8 centímetros de folhas amareladas no fundo da caixa e prossegui fazendo todas as camadas do mesmo tamanho. Depois cobri com uma camada de areia. Por cima da areia, duas camadas de pequenos galhos picados já secos. Depois uma camada de terra e depois três camadas de folhas secas de pinheiro bravo. Por fim cobri com mais uma camada de terra e em cima da terra uma camada de cinzas de carvão.

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8 – E finalmente a nossa composteira ficou pronta! Coloquei a tampa e marquei a data no calendário. A cada 30 dias o material pode ser remexido para promover a deterioração completa da matéria orgânica e consequente transformação em adubo. A cada 10 dias, é necessário abrir a torneira para retirada do chorume. Se tudo correr bem, em 120 dias todo material vai estar transformado. A cor será bem preta e o formato como de migalhas. Esse adubo pode ser esterilizado deixando alguns dias abertos no sol ou levado ao forno há 200 graus por 30 minutos. Feito isso o adubo já pode ser usado. As plantas agradecem!

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Link para olhar: http://www.moradadafloresta.org.br/produtos-principal/composteiras-domesticas

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Tux com a presidenta Dilma – Diálogos Conectados

O pessoal da Campanha Banda Larga é um Direito Seu promoveu ontem, dia 09/09/2014, um debate com a atual presidenta da república e candidata ao próximo governo, Dilma Rousseff. O Tux esteve presente para ouvir o que a candidata tinha a dizer e surpreendentemente a Dilma quis tirar uma foto com ele. Ao final, a Dilma queria levar o Tux para Brasília, mas os presentes conseguiram convencê-la a desistir da idéia. O Tux é mais importante para o Brasil percorrendo o território e espalhando sua mensagem. Em Brasília ele ficaria muito chateado, mas certamente espera que Brasília o receba bem quando lá ele estiver de passagem. O Tux também espera que os demais candidatos aos das eleições 2014 possam se comprometer com a causa do Software Livre.

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By Sérgio Silva:

CAMPANHA DA BANDA LARGA CAMPANHA DA BANDA LARGA

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eza diário

Ver-te com firmeza

Seguir-te com franqueza

Amar-te com clareza

Amante com certeza

 

Dia

Dia

Todo dia

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21 anos de liberdade e 13 festas no Brasil

São Paulo –  23/07/2012

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Pois é, 21 anos de liberdade. Em 2012 o Linux completou 21 anos de existência. Foi uma jornada que começou em 1991 e que percorreu 21 ricos anos de inovação, desenvolvimento, criação de mercado e sempre manteve o código aberto. Mas afinal, para quem não conhece e para quem ainda tem pouca intimidade, o que é que o Linux? Por que e como milhares de pessoas tem usado aplicativos de código aberto? O Linux é uma boa escolha porque é melhor ou é melhor porque é uma boa escolha? Afinal, o que é o Software Livre? Este artigo está aqui para conversar sobre tudo isso.

Iniciando o papo…

Uma das melhores explicações, ou melhor, uma das melhores definições sobre software livre pode ser encontrada no livro “Software livre: a luta pela liberdade do conhecimento” do professor, sociólogo e ativista Sérgio Amadeu da Silveira. Ele diz:
“Software livre é um movimento pelo compartilhamento do conhecimento tecnológico. Começou nos anos 1980 e se espalhou pelo planeta levado pelas teias da rede mundial de computadores. Seus maiores defensores são os hackers*, um grande número de acadêmicos, cientistas, os mais diferentes combatentes pela causa da liberdade e, mais recentemente, as forças político-culturais que apoiam a distribuição mais equitativa dos benefícios da chamada era da informação.”
O software livre e a filosofia do movimento que o cerca, conforme indica Sérgio Amadeu, teve seu inicio pelos anos 80. Isto se deu, ao que consta, quando Richard Stallman (foto ao abaixo: Richard Stallman e o cantor, compositor e ex-ministro da cultura Gilberto Gil), o famoso hacker que na época trabalhava no laboratório de Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, começou a empreender ações, publicar artigos e desenvolver programas que tivessem como fundamento primeiro a ideia do espírito clássico da colaboração científica. É dessa época a escrita do Manifesto Software Livre (Manifesto GNU) e da concepção da 1° licença para software de código aberto, a GPL (General Public License ou Licença Pública Geral em tradução livre). O famoso projeto GNU, fundado nessa época também por Stallman, foi o 1° projeto comunitário de Software Livre que agregava diversos aplicativos (softwares).
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Você poderá encontrar diversos textos, livros, artigos e até filmes sobre isso pela Internet. Um deles é o documentário “Revolution O.S.” que linkamos abaixo. Revolution OS é um documentário do ano de 2001 que trata da história de 20 anos da GNU, Linux, open source, e do movimento software livre. Nesse filme você encontrará personagens importantes, hackers e empresários incluindo Richard Stallman, Michael Tiemann (Empresário da Red Hat, um dos maires conglomerados comerciais Linux do mundo), Linus Torvalds (o fundador do Linux), Eric S. Raymond (Autor de “A Catedral e o Bazar”), entre outros.

Abrindo o código

 

Mas afinal de contas por que e como um software é livre? Vamos nortear essa parte da narrativa por essas duas perguntas básicas.
No começo do desenvolvimento dos computadores e das máquinas que necessitavam de softwares para funcionar (décadas de 60, 70 e inicio dos 80), os únicos e espaços que detinham conhecimento científico-tecnológico para lidar com programação de softwares eram empresas gigantes como a IBM, grandes centros de inteligência acadêmica como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts e grandes corporações militares como o exército estadunidense.
A ideia de patentes de software ou de software como propriedade privada não existia. Um programa de computador se compunha quase como parte de uma tecnologia física, de um computador, de uma calculadora, de um robô, etc. O acesso a estas tecnologias, especialmente para fins educativos, era liberado e seu desenvolvimento se dava como nos moldes da clássica colaboração científica na qual toda e qualquer nova descoberta, desenvolvimento e/ou ação era repassado todos aqueles que precisassem.
Este cenário, porém, durou pouco tempo pois logo no início dos anos 80 algumas empresas montaram modelos de negócio baseados no cerceamento e contingenciamento tecnológico inventando o software proprietário. Um software proprietário é um programa de computador fechado, em geral pago e que permite ao usuário apenas a concessão do uso. Diferente do software livre, o software proprietário tem como objetivo o lucro de venda e está inserido dentro da lógica da obsolescência programada**.
Neste contexto, como contra-força à mercantilização de um bem que antes era livre e não tinha a necessidade de maiores jurisprudências, nasceu o Software de Código Aberto, mais conhecido como Software Livre.
Para ser considerado efetivamente livre, portanto, um software tem de manter seu código-fonte disponível para qualquer pessoa que queira ter acesso a ele. O que assegura essa condição são as licenças permissivas e a mais famosa delas é a já citada GPL (General Public License ou Licença Pública Geral em tradução livre). A GPL traz em seu corpo 4 liberdades básicas e o que faz dessa licença um modelo muito adequado para o licenciamento de software. São elas:
  1. A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito;
  2. A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades. O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
  3. A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo;
  4. A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie deles. O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
Toda essa mudança de paradigma tem influenciado cada vez mais diversas áreas do pensamento. Modelos de educação, de Propriedade Intelectual, o Direito Autoral, as Artes, as Ciências, entre outros aspectos fundamentais que envolvem a existência humana no século XXI passaram a ser influenciados pelo modo “Código Aberto” de operar.
Hoje em dia é frequente o números de pessoas falando de Cultura do Código Aberto, Economia de Código Aberto, Governança de Código Aberto, numa alusão clara ao tipo de ética filosófica que o Movimento Software Livre trouxe. Um outro interessante documentário que traz um pouco de informação sobre isso é o filme “O Código Linux”:

Um trabalho de comunidade

 

Uma parte considerável da agrupação de pessoas em torno dos softwares livres se dá por meio da participação em Comunidades. Mas o que é uma comunidade de Software Livre?
Comunidades de Software Livre são espaços reais e/ou virtuais que agregam pessoas interessadas em um ou mais softwares, a fim de trocar informações sobre a ferramenta em questão.
Estas comunidades podem ser de desenvolvimento ou grupos de usuários. Comunidades de desenvolvimentos estão preocupadas com o aprimoramento do software (correção de falhas, implementação de novas funcionalidades). Já os grupos de usuários têm por finalidade a disseminação do uso dos softwares e solucionar dúvidas dos usuários finais.
Veja alguns exemplos famosos de comunidades de software livre:
O BrOffice é uma suíte de aplicativos livres de escritório destinada tanto à utilização pessoal quanto profissional. Oferece todas as funções esperadas de uma suíte profissional: editor de textos, planilha, editor de apresentações editor de desenhos e banco de dados. E muito mais: exportação para PDF, editor de fórmulas científicas, extensões, etc…
O BrOffice é livre para ser utilizado por qualquer pessoa. Você pode instalar uma cópia do BrOffice em todos os computadores que desejar, e utilizá-la para qualquer propósito, tanto por empresas, governos e administração pública em geral, quanto por projetos educacionais e de inclusão digital.
O Debian GNU/Linux é o resultado de um esforço voluntário para criar um sistema operacional livre, de alta qualidade. Um sistema operacional é um conjunto de programas básicos e utilitários que fazem seu computador funcionar. Entre os fatores que motivam os programadores do Debian estão:
  1. o desejo de fazer, ou manter o Software Livre competitivo em relação a alternativas proprietárias;
  2. o desejo de trabalhar mais perto de pessoas que partilham as mesmas atitudes, interesses e objetivos;
  3. o simples prazer do processo interativo de desenvolvimento e manutenção de software.
O GIMP é um programa de livre, com código fonte aberto, voltado principalmente para criação e edição de imagens, e em menor escala também para desenho vetorial. Atualmente, ele é mantido por um grupo de voluntários e licenciado sob a GNU General Public License. O GIMP foi criado pelos estudantes como uma alternativa livre ao software proprietário Adobe Photoshop. Foi um projeto universitário que amadureceu bastante e hoje alcança expressiva popularidade, sendo utilizado por hobbistas e profissionais.
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13 festas no Brasil

Falar de Software Livre, especialmente no Brasil, é também falar de um dos maiores eventos fomentadores do tema: o Fórum Internacional de Software Livre – FISL. Realizado na cidade de Porto Alegre desde o ano 2000, o Fórum reúne especialistas, educadores, entusiastas, políticos, hackers e ativistas do software livre do mundo todo.
Configurado-se como um a verdadeira festa de conhecimentos digitais livres, o FISL tem marcado o calendário de empresas, governos e sociedade civil organizada, sendo palco de muitos atores importantes para o desenvolvimento tecnológico do Brasil e do Mundo. Permeado de discussões e de olhares políticos sobre os temas que carrega, o FISL no ano de 2012 promete ser um espaço de grandes debates em torno dos temas mais fervilhantes dos últimos tempos como Reforma da lei de Direitos Autorais, Marco Civil da Internet, Programas de Inclusão Digital, entre outros.
Todos os anos, também, o FISL tem sido provocado por um tema geral e este ano o tema é “Cooperativismo e sustentabilidade”. Tal tema é fruto de duas principais circunstâncias. A primeira diz respeito ao mês de Julho, mês em que ocorre o FISL e mês em que é comemorado o dia internacional do cooperativismo e da sustentabilidade. A segunda diz respeito a necessária convergência temática e a natural aproximação entre a liberdade, autonomia, sustentabilidade e software livre.
Outro detalhe importante a ser lembrado são as trilhas sob as quais o evento é dividido. Cada trilha é, por assim dizer, um braço temático que abarca diversas palestras, rodas de conversa, debates e oficinas sobre os assuntos em questão. São trilhas do FISL 13: “Administração de Sistemas e VoIP”, “Desktop e Distribuições”, “Ecossistema e Cultura”, “Educação e Inclusão Digital”, “Eventos Comunitários”, “Ferramentas, metodologias e padrões”, “Gerencia de conteúdo”, “Grupos de Usuários”, “Hardware, sistemas embarcados e robótica”, “Jogos, multimídia e streaming”, “Kernel, sistemas de arquivos e sistemas operacionais”, “Negócios, implementações e casos”, “Oficinas”, “Outras linguagens”, “Segurança”, “Tópicos Emergentes” e “Workshop de Software Livre”.
Este ano também haverá uma mostra especial de Tecnologias Livre e Hackerspaces. Veja o quadro com os expositores presentes, seu respectivos projetos e regiões:

Referências

Notas:
* Hacker é alguém com conhecimentos profundos de informática, programação e sistemas. O termo é empregado equivocadamente como sinônimo de cracker, pessoa que usa sua destreza para invadir sistemas e praticar crimes eletrônicos. Neste texto uso o termo hacker no sentido original, como um apaixonado pela programação.
** Obsolescência programada é o nome dado à vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido. A obsolescência programada faz parte de um fenômeno industrial e mercadológico surgido nos países capitalistas nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como “descartalização”. Faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar.
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Jornadas de Junho – Ocupe a Mídia!!

15/06/2013 – São Paulo

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