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Narradores do Açu

“Se ocê panhá um passarim que nasceu solto e botá na gaiola ele morre.”

Espaço marcado pelas mãos dos trabalhadores, que com muito suor dedicaram suas vidas a cuidar do campo é retirado sem dor. Produtores rurais do 5º Distrito de São João da Barra não tiveram tempo de contar suas histórias, só tempo para retirar seus pertences e deixar suas lembranças para trás. Suas terras desapropriadas serão utilizadas para a construção de estaleiros do Porto do Açu, com investimentos avaliados em mais de um bilhão de dólares, valor que não paga uma história de vida. Ana Paula Medeiros
 
Este webdoc se destina ao registro do que têm a dizer os atingidos pelas desapropriações no 5º Distrito de São Jõa da Barra.RJ.
 
Foi produzido por alunos do UNIFLU/FAFIC com a supervisão do professor da disciplina Narrativas e Linguagens Jornalísticas, Vitor Menezes.
 
As imagens contidas no webdoc estão disponíveis no YouTube e/ou foram cedidas.
 
Campos dos Goytacazes, julho de 2011.

Dia do Saci!

O dia do Saci está chegando, minha gente! É no próximo 31 de Outubro! Para comemorar, antecipadamente, publico aqui uma história muito bacana do meu amigo Ricardo Azevedo!
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Gente como a gente, habitante da cidade grande, acostumado com luz elétrica, entregador de pizza, televisão, poluição, telefone celular e computador não entende nada de Saci e só vai ver o Saci no dia de São Nunca. Acontece que o Saci é filho do mistério, filho do vento que assobia, filho das sombras que formam figuras no escuro, filho do medo de assombração.

O Saci é uma dessas coisas que ninguém explica. Por exemplo, é muito fácil explicar uma casa. Ela tem tijolos, paredes, janelas e serve para morar. É muito fácil também explicar um cachorro. Pertence à espécie canina, late, abana o rabo, às vezes morde, faz xixi no poste, é amigo das pulgas(bem alguns nem tanto) e serve para tomar conta de casas ou apartamentos. Agora tente explicar o gosto. Por que tem gente que só gosta de Rock Pauleira e tem gente que só ouve musica Clássica ou então Pagode?

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Experimente explicar a beleza ou o sentimento, ou as coincidências que acontecem, ou sonhos, ou um pressentimento. Você já teve um pressentimento? Já sentiu que uma coisa ia acontecer e no fim ela aconteceu mesmo? Pois bem, agora tente explicar.

As vezes a gente está calmamente em casa com algo na mão. O telefone toca, a gente atende, bate um papo e quando desliga cadê a coisa que a gente estava segurando? Sumiu! A gente não consegue acreditar. A coisa estava aqui agorinha mesmo! A gente procura em todo canto, xinga, reclama, arranca os cabelos, vira a casa de cabeça para baixo e nada. De repente olha para o lado…Não é possível! A coisa está ali bem na cara da gente. Numa casa de Caboclo, quando isso acontece, as pessoas dizem que foi obra do Saci. Dizem que o saci é que tem mania de esconder as coisas e depois fica escondido dando risada enquanto a gente faz papel de bobo.

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É, Saci é um ser misterioso, habitante do mato. Sua aparência é a de um negrinho, pequeno e risonho, de uma perna só, com um capuz vermelho enterrado na cabeça, sem pelos no corpo nem órgãos para fazer necessidades. Costuma ter três dedos nas mãos, tem as mãos furadas e quando quer solta um assobio misterioso e fica invisível. Além disso vive com o joelho machucado e sabe comandar os mosquitos e pernilongos que vivem atazanando a vida da gente.

Ah, tem outra coisa, o malandrinho aprecia fumar cachimbo e consegue soltar fumaça pelos olhos. Quando está de bom humor pode ajudar as pessoas a encontrarem objetos perdidos. Em compensação, adora pregar as piores peças nos outros, faz os viajantes errarem seus caminhos, esconde dinheiro, esconde coisas de estimação, faz vasos, pratos e copos caírem sem motivo e quebrarem, gostar de aprontar com os bichos e é especialista em fazer comida gostosa dar dor de barriga.

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De vez em quando, o saci sai girando em volta de si mesmo feito um peão maluco e gira tanto, tanto, tanto, que até levanta as folhas secas e a poeira do chão. Alias, muitos afirmam que ele é a única explicação possível para a existência dos roda moinhos.

O Saci tem vários nomes dependendo da região onde aparece. Pode ser Saci-Sererê, Saci-Pererê, Saci-Sassura, Saci-Sarerê, Saci-Siriri, Saci-Tapererê ou Saci-Triti. As vezes é chamado de Matitaperê, ou Matita-Pereira, ou Sem-Fim, que na verdade são nomes de pássaros. É que em certos lugares dizem que o danado, quando perseguido, dá risada, vira passarinho e desaparece deixando todo mundo de queixo caído.

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Mas, o Saci pode ser perigoso. As vezes, chama as criancinhas, canta, dança, inventa lindas histórias e acaba fazendo as inocentes se perderem na floresta. Pode também fazer um caçador entrar no mato e nunca mais voltar para casa.

Para dominar o Saci só tem um jeito. Primeiro, pegar uma peneira. Segundo, esperar um rodamoinho dos fortes. Terceiro, atirar a peneira bem em cima do pé-de-vento. Quarto, agarrar o Saci que vai estar preso na peneira. E quinto, prender o espertinho dentro de uma garrafa. Sem aquele goro vermelho o Saci fica apavorado, geme, choraminga, fala palavrão, implora e acaba fazendo tudo que a gente quer.

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É bom morar na cidade, mas, bem que seria legal, um dia, assim derrepente, encontrar um Saci de verdade fazendo bagunça, fumando cachimbo, soltando fumaça dos olhos, virando passarinho e sumindo no espaço. É ou não é?

AZEVEDO, Ricardo. Armazém do folclore. Ed.Ática, São Paulo, 2003.

www.sosaci.org

Sociedade dos observadores de Saci.

www.ancsaci.com.br

Associação Nacional dos Criadores de Saci.

www.criadoresdesaci.blig.ig.com.br

Criadores de Saci

http://eosaciurbano.org/aparicoes/

Aparições do Saci

Brincadeira “Cadê o Saci?” – Por Daniel D’Andrea

Brincadeira “Geografia do Saci” – mapa

Brincadeira “Geografia do Saci” – questões

“Fala-nos do Amor” – by Khalil Gibran

Certa vez, Kahailil Gibran levantou a cabeça e olhou para as pessoas, e o silêncio caiu sobre eles. E com uma voz podero-sa ele disse:


Quando o amor vos chamar, segue-o,

Apesar do seu caminho ser duro e íngreme.

E quando suas asas vos envolverem, abraçai-o, apesar da espada escondida entre suas penas poder ferir-vos.

E quando ele falar convosco, acreditai nele,

Apesar de sua voz poder esfacelar vossos sonhos como o vento norte arruína o jardim.

Pois mesmo quando o amor vos coroa, ele vos crucifica. Mesmo sendo para o vosso crescimento, ele também vos poda.

Mesmo quando ele chega à vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que tremem ao sol,

Ele também desce até vossas raízes e abala a vossa ligação com a terra.

Como feixes de milho, ele vos une a si próprio.

Ele vos ceifa para desnudar-vos.

Ele retira vossas espigas.

Ele vos mói até ficardes brancos.

Ele vos amassa até ficardes moldáveis;

E depois ele vos designa ao seu fogo sagrado, para que vos torneis o pão sagrado do sagrado festim de Deus.

Todas essas coisas o amor fará convosco até que conheçais os segredos dos vossos corações e, através deste conhecimento, vos torneis fragmentos do coração da Vida.

Mas se, por medo, buscardes apenas a paz do amor e o prazer do amor,

É melhor que cubrais a vossa nudez e que passeis da eira do amor

Para o mundo sem estações, onde rireis, mas não todo o vosso riso, e chorareis, mas não todas as vossas lá-grimas.

O amor não dá nada além de si mesmo e não toma nada além de si mesmo.

O amor não possui nem é possuído;

Pois o amor é suficiente ao amor.

Quando vós amais, não deveis dizer: “Deus está no meu coração”, mas sim, “Estou no coração de Deus”.

E não pensais que podeis dirigir o curso do amor, pois o amor, se acuar que mereceis, dirige o vosso curso.

O amor não tem outro desejo além de satisfazer a si mesmo.

Mas se vós amais e precisais ter desejos, que sejam estes os vossos desejos:

Derreter e ser como um riacho que corre e canta sua melodia para a noite.

Conhecer a dor do carinho demasiado.

Ser ferido pela vossa própria compreensão do amor;

E Sangrar por vossa própria vontade e com alegria.

Acordar ao amanhecer com o coração leve e agradecer por mais um dia de amor;

Descansar ao meio-dia e meditar sobre o êxtase do amor;

Voltar para a casa com gratidão;

E então dormir com uma prece ao bem-amado em vosso coração e uma canção de louvor em vossos lábios.